Entendo.
Desconheço os motivos, mas eu entendo. Não que
faça muita diferença, agora, entender o que se passou, mas é de nossa natureza
tentar solucionar os mistérios do coração, como se todos eles tivessem,
efetivamente, uma solução. Acho que isso tudo é fruto dos filmes românticos que
costumamos ver, que costumávamos ver. Sem contar as histórias que ouvimos e
lemos, todas com os seus respectivos finais felizes. Tolice acreditar que as
nossas histórias, como as deles, têm finais felizes. Algumas nem finais têm! Nem
mesmo as destes autores, talvez. Buscamos soluções racionais para tentar
confortar o coração, nem se tivermos que inventá-las. Mais um episódio da
batalha entre razão e emoção.
Sinto mais pela situação em si, pela amizade,
companhia e intimidade, apesar do pouco tempo e poucas oportunidades; pela
fase que passávamos. Não enquanto dois, mas um e um. E disso tudo que você
deixou claro na última vez que estivemos juntos. Tomada por mistério e fria
como na maioria das vezes, os sinais daquela noite já traduziam em você qual
seria seu desfecho. Conversas breves, superficiais e falidas ocasiões em que se
tentava arrancar um sorriso daquele rosto. Dali, a estrada levava a uma direção
apenas, e ambos sabíamos qual era, apesar da minha teimosia. Teimosia que,
diga-se de passagem, sempre me acompanhou na alegria e na tristeza, até que a
morte nos separe. Separamo-nos. Não eu e a teimosia. Você e eu. Afinal, em
certos momentos há somente espaço para uma opção.
O curto tempo ressalta
a dúvida de se ter começado pelo fim ou terminado pelo começo, mas isso também
não importa e, uma vez mais, será insolúvel até o final de nossas vidas. Foi o
silêncio destas últimas duas semanas (agora sim, duas semanas) que me deu
as respostas. O silêncio responde. São dessas situações que a gente aprende na
vida. Não dá pra ser diferente.
Posso oferecer-lhe a partir de agora a
amizade-de-qualquer-hora e o desejo para que continue sendo feliz e com
esse sorriso largo no rosto, como foi desde o dia que te conheci. Só não se esqueça de viver leve. Para o que precisar, estarei
aqui.
Um comentário:
se se-pa-ro morreu-se um pouco a cada dia. deixou-se no silêncio o que não é possível desvendar a razão nem tão pouco a teimosia-da-alegria-e-da-tristeza...
e depois que a morte os se-pa-re, a expectativa da amizade-a-qualquer-hora em paz embotada no sorriso largo de outrora...
Postar um comentário